A surpreendente ligação entre estresse e colesterol alto
Quando pensamos em colesterol alto, nossas mentes normalmente saltam para os culpados da dieta: fast food, frituras, guloseimas açucaradas e carnes processadas. Esses alimentos são realmente prejudiciais por vários motivos, incluindo a capacidade de aumentar os níveis de colesterol.
Mas aqui está algo que você talvez não saiba: o estresse também pode aumentar significativamente o colesterol. O estresse crônico ou diário não afeta apenas temporariamente o colesterol – pode eventualmente contribuir para doenças cardíacas. Vamos explorar mais essa conexão.
Como o estresse afeta os níveis de colesterol
Quando estressado, seu corpo ativa sua resposta de lutar ou fugir. O hipotálamo, uma glândula próxima ao tronco cerebral, libera adrenalina e cortisol. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, aumentam a energia e melhoram o fluxo sanguíneo para o cérebro.
Evolutivamente, esta resposta ajudou-nos a sobreviver a ameaças imediatas, como escapar de predadores. Hoje, ela entra em ação mesmo em situações que não representam risco de vida, como preocupações financeiras.
A adrenalina e o cortisol estimulam a produção de colesterol. O colesterol é uma substância cerosa e gordurosa usada para funções corporais essenciais, incluindo a síntese de vitamina D e a produção de hormônios. No entanto, o excesso de colesterol pode obstruir as artérias, aumentando o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.
Os níveis de adrenalina e cortisol permanecem elevados até que o estresse seja resolvido. Infelizmente, muitas pessoas vivem em constante estado de estresse, levando a níveis elevados de colesterol a curto e longo prazo e ao aumento do risco de doenças cardíacas.
O estresse também promove inflamação, o que reduz as lipoproteínas de alta densidade (HDL), ou colesterol “bom”. O HDL ajuda a remover as lipoproteínas de baixa densidade (LDL), o colesterol “ruim” que obstrui as artérias.
O que a pesquisa revela sobre estresse e colesterol
Evidências crescentes destacam os efeitos nocivos do estresse sobre o colesterol. Um estudo de 2017 descobriu que o estresse psicológico aumentou os triglicerídeos e o LDL (que deveriam estar baixos), ao mesmo tempo que diminuiu o HDL (que deveria estar alto).
Outro estudo relacionou o estresse no trabalho a níveis prejudiciais de colesterol. Aqueles com alto estresse no trabalho eram mais propensos a necessitar de medicação para colesterol.
A maneira como lidamos com o estresse desempenha um papel. Muitas pessoas conseguem lidar com isso comendo alimentos reconfortantes e pouco saudáveis, ricos em açúcar e carboidratos, o que pode reduzir o estresse temporariamente, mas leva ao ganho de peso e ao aumento do colesterol ao longo do tempo.
Outros mecanismos de enfrentamento prejudiciais – como beber ou fumar em excesso – também aumentam o colesterol. A falta de atividade física agrava ainda mais o problema.
Se você já tem colesterol alto, o estresse pode piorá-lo. Um estudo mostrou que, ao longo de três anos, pessoas com maior estresse apresentaram colesterol elevado em comparação com aquelas com menor estresse.
Mesmo indivíduos saudáveis podem ver o colesterol aumentar durante períodos estressantes. Estudantes universitários, por exemplo, apresentaram níveis mais elevados de cortisol, adrenalina e colesterol durante as provas.
A conexão entre personalidade e estresse
A pesquisa mostra que o sistema cardiovascular de algumas pessoas reage mais fortemente ao estresse. Por exemplo, a pressão arterial pode aumentar mais em certos indivíduos durante momentos estressantes.
Os tipos de personalidade (A, B, C, D e E) podem prever respostas ao estresse. Os tipos A e D são tipicamente personalidades de alto estresse, mais sensíveis aos hormônios do estresse. Eles experimentam batimentos cardíacos mais rápidos, artérias contraídas e maior liberação de açúcar no sangue do que os tipos mais relaxados.
Estudos sugerem que tipos de personalidade “alto estresse” podem reduzir o risco de colesterol ao se envolverem em atividades alegres, como sonhar acordado. Reduzir os conflitos no local de trabalho, organizar os espaços e planear as tarefas diárias de forma realista também ajudam a gerir o stress.
Prevenindo o colesterol alto relacionado ao estresse
Como o estresse prejudica os níveis de colesterol imediatamente e ao longo do tempo, é crucial controlá-lo. Aqui estão estratégias eficazes:
- Exercício: A atividade física regular beneficia tanto o estresse quanto o colesterol. A American Heart Association recomenda 30 minutos de caminhada diária, mas mesmo as tarefas domésticas podem proporcionar benefícios semelhantes. A chave é permanecer ativo.
- Alimente-se de forma saudável: concentre-se em uma dieta rica em frutas, vegetais e alimentos integrais. Reduza o consumo de gorduras saturadas e trans. Escolha proteínas magras, como aves e peixes, em vez de carnes vermelhas e processadas. Enfatize grãos integrais e produtos frescos e evite carboidratos simples como açúcar e farinha branca.
- Pratique técnicas de relaxamento: incorpore práticas calmantes em sua rotina. Exercícios de respiração profunda, feitos por apenas cinco minutos no almoço, podem acalmar efetivamente a mente e o corpo. Mindfulness, meditação e ioga também são excelentes para promover o relaxamento.
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